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Poeta das ruas

Neste afã indescritível e desconfortante de ainda estar aqui dentro e sozinho,        Hoje de manhã não quis estar procurando a resposta para esses desenganos, Despressurizo-me nesta ânsia de fugir de mim e encontrar-me com ninguém,    Tentei me encontrar com o mundo, mas vi uma ignorância nos olhos alheios.            O sofrimento já não me serve como o vassalo de antes, obediente e ávido.              No descompasso da existência fui desonesto com meus próprios sentidos,            Com os meus amigos desconhecidos e conhecidamente desesperados.                Bebo desde o primeiro capítulo ao último episódio e exalo o bafo da desesperança.   Desmintam-me os insurretos e descomovidos do prédio ao lado.                         Folga no realce da cor dos olhos daquele menino o brilho entediante,            Trespassa do normal o fulgor das pupilas mensageiras inexperientes.                Vejam que o céu é riscado por um feixe de luz gritante,                                    Ecoou no novo horizonte um estampido de glória e corrupção.                             Passo o tempo todo com medo do tempo que ainda tenho,                                  Dirijo todo meu concentramento pro lado do desgostoso e angustiante existir. Resposta pelo que sou, fui, serei já não me satisfazem. Já sei de tudo.                   Fui um como um outro que quis ser e não foi; sou como este e serei como este. Interrogam-me toda segunda se sou um cara com felicidade na vida.             Segunda feira é impossível à alegria que sinto no meu ser desconfiado.                     É de uma maneira que pressiono os outros para saírem de mim.            Egoisticamente sofro por não ter nada do que sofrer mais.                                      Já cansei de fumar e de existir, são dois vícios que vão acabar juntos.     Extremamente consumido pelo desesperador tédio, digo adeus.                            Mas ainda estarei perambulando nos soturnos diários á procura de cigarros e uísque.  Tentei! Desesperadamente tentei me dar com o mundo, mas não deu certo,      Foram em vão anos de luta para compreendê-los antes de deitar todos os dias.    Hoje vou deitar com os pensamentos limpos, pois tentei, eu tentei tudo que podia Para ser compreensível e compreendido dentre os meus, mas falhei.         Desculpas... Peço a mim mesmo por ter tentado e me agradeço egoisticamente por tudo.

Mendigo S/A

Colaborador

 

 
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